Já pensou o que suas paredes tem a lhe contar hoje?

Em “Arquitetura da Felicidade”, Alain de Botton, afirma:

“Se nosso interesse por construções e objetos é realmente determinado tanto pelo que eles nos dizem quanto pelo desempenho de suas funções materiais, vale a pena falar sobre o curioso processo pelo qual combinações de pedra, aço, concreto, madeira e vidro parecem ser capazes de expressarem – e podem em raras ocasiões nos dá a impressão de estarem falando sobre coisas significativas e emocionantes.” Trecho do Livro Arquitetura da Felicidade

E ao ler isso eu sou imediatamente levada a minha infância e a lembrar da casa em que passei a maior parte dela e isso é como ler uma carta de amor que desperta saudades. Foi a conversa das paredes de pedra com as janelas de madeira e vidro que me falaram as primeiras coisas que ouvir sobre as possibilidades da arquitetura. Mesmo sem saber ainda como definir essa “poesia” aquilo me encantava e era o que eu entendia por beleza e felicidade.

Quando ingressei na faculdade eu comecei a compreender no decorrer dos anos de forma técnica o dialeto da arquitetura, descobri que aquilo que tinha o poder de despertar sentimentos em mim, era na verdade um conjunto de técnicas construtivas somadas com História das civilizações e arte aplicada na tradução dos anseios dos clientes e porque não dizer psicologia. A universidade fez com que essas possibilidades de deixar sentimentos escritos em tijolos e pisos me deixassem a cada dia mais apaixonada.

Eu entrei no mercado de trabalho com a “cara e a coragem”, não tive muitas referências profissionais e talvez isso tenha feito com que eu “batesse a cabeça” algumas vezes. Mas também me deu excelentes oportunidades de definir minha metodologia de trabalho e de ter aprendizados dos mais distintos possíveis ou ainda de elaborar a minha máxima de que o projeto só cumpre sua função quando traz felicidade para quem o contrata. Ouvi muito as pessoas e sobre suas relações com as construções percebi como uma parede em um local inadequado, ou a falta dela, pode se transformar em uma grande ofensa, ou como uma sala extremamente impecável e intocável, ainda que muito bela, pode trazer rigidez nas relações. Então aos poucos vou me aperfeiçoando nessa arte de traduzir os sonhos para a linguagem dos materiais construtivos, através de plantas baixas e maquetes virtuais.

Agora tenho a possibilidade de está cada dia mais próxima à decoração e percebi que esses são os mimos no dialeto da construção, é aquele “eu te amo” ou o “você é especial” que você espera ouvir ao chegar em casa. Esse é o tempero da arquitetura, por assim dizer, não adianta um belíssimo prato com um tempero insosso ou um tempero magnifico em um prato mal elaborado. Isso me faz concluir que o dialeto da construção só será por completo traduzido quando somar arquitetura, com decoração, engenharia e outras coisas complementares que puderem aperfeiçoar cada vez mais a compreensão, como o paisagismo por exemplo.

Com esse relato, pretendo reafirmar a importância da contratação de um projeto específico, pessoal e intransferível e que a arquitetura não é algo padronizado que possamos pressionar um “CTRL+C e CTRL+V” de um lugar ao outro, ela deve carregar os sentimentos de seus usuários e tudo que eles desejam que seja despertado através das paredes, portas e janelas e o nosso papel é criar isso. Através da aplicação de teorias, que variam de técnicas construtivas, estudo de ergonomia, conforto ambiental, acessibilidade, estudo de cores, incidência solar, previsão de demandas elétricas e hidráulicas, análise de hábitos e costumes, estudo de materiais construtivos e etc.

Sobre o Autor